domingo, 4 de maio de 2014

Sandoval Cardoso é empossado governador do Tocantins


Sandoval Cardoso (SDD) foi eleito governador de Tocantins em eleição indireta neste domingo. Em exercício no cargo desde a renúncia de Siqueira Campos (PSDB) e do vice João Oliveira (DEM), no dia 4 de abril deste ano, Cardoso cumpre mandato-tampão até 31 de dezembro. Seu vice, desconhecido do meio político local, é o empresário Tom Lyra (PR). Ele era presidente presidente da Assembleia Legislativa e - eleito pela primeira vez pelo PMDB - estava em seu segundo mandato como deputado estadual.
A chapa encabeçada por Sandoval Cardoso recebeu 15 - dos 21 votos dos deputados -, vencendo o pleito em primeiro turno. Em seu discurso de posse, neste domingo, o novo chefe do Executivo estadual relatou um breve histórico das realizações da administração anterior, garantindo, sobretudo, que vai dar continuidade às obras de recuperação de hospitais e estradas.
Segundo informações da assessoria de imprensa da Assembleia de Tocantins, Cardoso ressaltou ainda seu compromisso com o fortalecimento da economia do estado e que, para tal, pretende contar com o apoio do capital privado.
- Desde que assumi interinamente, nenhuma ação ou projeto da gestão do governador Siqueira Campos sofreu qualquer interrupção. O Tocantins é o estado que mais investe em saúde em todo o país, o PAM já recuperou 12 mil km de estradas vicinais, o Pró-Município está reconstruindo ruas e avenidas desse Estado, temos vários projetos que impulsionam o agronegócio no Tocantins - destacou Cardoso, como publicado no portal do Governo.
Osiris Damaso (DEM) assume a presidência do Legislativo. Siqueira Campos renunciou para, ao que tudo indica, concorrer a uma cadeira no senado. A renúncia só saiu após o vice-governador João Oliveira (DEM) também deixar o cargo, dias antes, por finalidade eleitoral.
Concorreram ao pleito outros oito candidatos. Os também deputados estaduais Marcelo Leles (PV) e Eli Borges (Pros) receberam dois votos cada. O deputado José Augusto (PMDB) e o ex-deputado federal e ex-prefeito de Porto Nacional (TO), Paulo Mourão (PT), obtiveram um.
Entre os candidatos que não receberam nem um voto, também está Nuir Machado de Lima (PNM). Izabela Suarte (PPL) registrou, mas não teve a candidatura homologada por falta de documentos partidários.
As deputadas Amália Santana (PT) e Josi Nunes (PMDB) não participaram da votação, alegando problemas de saúde. De acordo com a assessoria de imprensa da Assembleia, Amália sofreu acidente de carro na noite de sábado e se encontra internada em estado grave. Nos corredores, a conversa foi de que Josi Nunes teria sido obrigada pelo partido a votar no candidato José Augusto (PMDB), o que não seria a vontade dela.
Em 2010, após a cassação do então governador, Marcelo Miranda (PMDB) e do vice Paulo Sidnei (PPS), o estado do Tocantins viveu eleições indiretas. Naquele ano, o escolhido foi Carlos Gaguim (PMDB), então deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa (AL).
Protestos em frente à Assembleia e nas redes sociais
Enquanto a segunda eleição indireta em quatro anos acontecia no Tocantins, militantes do PSOL com peruca e nariz de palhaço protestavam em frente à Assembleia. Do lado de dentro, no plenário, logo no início da sessão, os sete candidatos de oposição, ressaltavam em seus discursos, que suas candidaturas eram contra o que chamaram de manobra para beneficiar o grupo político que está no poder.
- Apesar de ser legal, não concordamos com as eleições indiretas para beneficiar grupos que estão no poder - disse o candidato do PSDC, Adail Pereira Carvalho, que não recebeu nem um voto.
- Vamos para o quarto governador em sete anos, fruto de renúncias que não estavam nos compromissos de campanha - disparou o candidato do Pros, Eli Borges.
- Vocês deputados, serão julgados pelo povo em outubro. O veredito será dado no dia 5 à noite, não se esqueçam - avisou várias vezes o candidato do PSOL, Fábio Ribeiro, que não recebeu nem um voto.
- O PMDB vai judicializar a eleição indireta. Na Assembleia perdemos nosso recurso, mas vamos procurar a justiça - enfatizou o candidato do PMDB, José Augusto, se referindo ao fato de Sandoval Cardoso ter se filiado ao Partido da Solidariedade há menos de um ano.
- Fomos preteridos, colocados de lado, em nome de um golpe político familiar. As renúncias mancharam essa página da história do Tocantins - acusou o candidato do PV, Marcelo Lelis.
- O senhor não pode representar uma corja dessas que está acabando com o povo. Um Estado tão jovem e tão flagelado de práticas políticas tresloucadas - indignou-se o candidato do PT, Paulo Mourão.
Também houve protestos nas redes sociais. Sandoval Cardoso preferiu usar o tom conciliador em todos os discursos e pronunciamentos à imprensa.
- Os protestos fazem parte da democracia, cumprimos o que está na lei. Meu trabalho será governar o Estado em direção ao correto - encerrou.
Votos: eleição indireta
Sandoval Cardoso (SDD)/ Tom Lyra (PR) - 15 votos
Marcelo Lelis/ Joaquim Maia (PV) - 2 votos
Fábio Ribeiro/ Professora Dorineide (PSOL) - 0
Eli Borges/ Junior Geo (PROS) - 2 votos
Izabela Suarte/Jailson Alves (PPL) - candidatura não homologada
José Augusto Pugliesi/ Udson Bandeira(PMDB) - 1 voto
Nuir Machado de Lima/ Margareth Aparecida de Lima (PNM) 0
Adail Pereira Carvalho/ Francisco Vieira de Souza (PSDC) - 0
Paulo Mourão (PT)/ Luciano Arruda (PC do B) - 1 voto